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domingo, 3 de maio de 2020

Tenente Coronel Vicente Praxedes Benevides Pimenta: Origem da família Praxedes no Rio Grande do Norte

*Por Gustavo de Castro Praxedes

Casa Grande da Fazenda Sabe-Muito, em Caraúbas/RN

Nos primeiros anos do século XIX, nascia na Fazenda Sabe Muito, Caraúbas, Estado do Rio Grande do Norte, um menino que recebeu o nome de Praxedes Benevides Pimenta. Seus pais, o Capitão Antonio Fernandes Pimenta e dona Francisca Romana do Sacramento, convidaram para padrinhos do filho, o Capitão Manoel Dantas da Cunha e dona Ana de Lemos. Pouco tempo depois, por ocasião de sua crisma, o pequeno Praxedes recebe um novo nome, deste dia em diante, passou a chamar-se Vicente Praxedes, neto paterno do Alferes José Fernandes Pimenta e de dona Josefa Maria da Conceição e materno do Capitão Manoel Carneiro de Freitas e dona Delfina Filgueira de Jesus. Por sua vez era bisneto do português Antonio Fernandes Pimenta e Joana Franklina do Amor Divino, tronco genealógico dos Fernandes Pimenta já nascidos e daqueles que ainda estão por nascer.

Vicente Praxedes Benevides Pimenta nasceu aos 20 de julho de 1805 e com o passar dos anos se tornou um dos homens mais influentes da região oeste Potiguar. Muito cedo, aprendeu as primeiras letras com seu irmão, Padre Bento Fernandes Pimenta, que era vigário em Quixeramobim, Ceará. Seu interesse em aprender era tanto, que se aperfeiçoou no latim, chegando a traduzir a “selecta”, ou seja, os trechos escolhidos para celebração da missa.  

No ano de 1830, casou em primeiras núpcias na Serra do Martins com sua prima Herculana Josefa do Amor Divino, baiana, filha de Gonçalo da Silva Campos e Benta Maria de Jesus. Deste matrimonio nasceram 17 filhos e todos foram batizados com o sobrenome Praxedes.

Dotado de honestidade inigualável, adotou a carreira do comércio em Martins. Nesta cidade possuía uma mercearia de molhados, bebidas e botica. Anos mais tarde, abandonou para se dedicar a profissão de agricultor. Dedicou-se também a criação de gado nas fazendas São João de Cima, São João de Baixo, Unha de Gato, Currais, Santo Antônio, Sítio do Padre, Passagem, Incauto, Cisplatina e Barra, bem como mantinha uma plantação de
lavoura no sítio Jacú, nas cercanias da referida cidade.

Em 1837 foi nomeado pelo Presidente da Província, Manoel Ribeiro da Silva Lisboa, Major do Batalhão de Guardas Nacionais do Município de Portalegre e em 1843 o Coronel Estevão José Barbosa de Moura, Vice-presidente da Província o promoveu para o posto de Tenente Coronel Chefe do Batalhão da Guarda Nacional da Vila da Maioridade.

Dez anos depois, aos 29 de janeiro de 1853, Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II, o nomeou Tenente Coronel do Primeiro Batalhão de Guardas Nacionais do Comando Superior dos Municípios de Imperatriz, Apodi e Portalegre e aos 24 de julho de 1867, Pedro II, o reformou no posto de Coronel.

Dentre os muitos cargos que exerceu destacamos os de Juiz Mol da Vila de Portalegre e termo (1840); Delegado de Polícia dos Tesouros das Vilas de Maioridade, Apodí e Portalegre (1842); Administrador dos bens Patrimoniais da Senhora da Conceição, Orago da Freguesia de Serra do Martins e Procurador dos bens do Patrimônio do Senhor do Bonfim. (1853); Coletor de Rendas Gerais de Imperatriz (1874); além de Camarista, Juiz de Paz, Membro da Comissão Beneficente da Cidade de Imperatriz, de Socorros públicos, bem como Chefe do Partido Conservador e eleitor em sua cidade.

No primeiro casamento com dona Herculana, o Tenente Vicente Praxedes foi pai de Ana Praxedes Benevides, casada com o Capitão João da Silva Lisboa; Antônio Praxedes Benevides Pimenta, primeiro com este nome, provavelmente tenha falecido na infância; José Praxedes Benevides Pimenta, Major da Guarda Nacional, casado com sua prima Herculana Josefa do Amor Divino; Francisco Praxedes Benevides Pimenta, Tenente Coronel da Guarda Nacional, tronco dos Praxedes no Vale do Ceará Mirim e Taipu, casou com Raimunda Cândida do Rego Leite; Maria Praxedes Benevides casou com o Deputado Provincial e Coronel, Joaquim Bernardo de Sá Barreto; Antonia Rufina Praxedes casou com seu primo legítimo Lucio Manoel Fernandes; Manoel Praxedes Benevides Pimenta, Deputado Provincial quatro vezes, casou em primeiras núpcias com sua prima Delfina Emilia Fernandes e em segundas com outra prima, Joana Elvidia Carneiro; Vicência Praxedes Benevides casou com o Tenente Domingos Velho Barreto Júnior; Herculana Gratulina Praxedes casou em primeiras núpcias com o Capitão Luiz Manoel Filgueira e em
segundas com seu primo Coronel Manoel Petronilo Fernandes Pimenta; Raimundo Praxedes Benevides casou com sua prima Luiza Gonzaga Carneiro; Francisca das Chagas Praxedes, com o Capitão João da Silva Lisboa, viúvo de sua irmã Ana Praxedes; Joana Praxedes Benevides casou como seu primo o Coronel Luis Manoel Fernandes Filho; Benta Praxedes Benevides, casou com Clemente Gomes de Amorim Filho; João Praxedes Benevides Pimenta casou com sua prima Alexandrina Fernandes Pimenta; Antônio Praxedes Benevides Pimenta, o segundo com este nome, casou com sua prima Laura Cândida Fernandes Carneiro e mais dois com o nome de Luis que faleceram na infância.

Com a morte de Dona Heculana Josefa no primeiro dia do mês de março de 1851, na Cidade de Aracati, Estado do Ceará, o Coronel Vicente Praxedes contraiu segundas núpcias dois anos e meio depois, aos 09 de setembro de 1853, com sua sobrinha Antônia Mafalda de Oliveira, filha do Tenente Coronel Antônio Francisco de Oliveira e de dona Mafalda Gomes de Freitas. Deste casamento nasceram mais cinco filhos, sendo a primeira,
Mafalda Praxedes que casou com seu primo Joaquim Gomes de Amorim, Intendente da cidade de Martins; Miguel de Oliveira Praxedes Pimenta, faleceu solteiro; João Mafaldo de Oliveira Praxedes, militar, Alferes da Guarda Nacional, faleceu em Canudos lutando contra as tropas de Antônio Conselheiro; Antonio Mafaldo Praxedes Pimenta falecido solteiro no estado do Acre e o Coronel Bento Praxedes Benevides Pimenta, Coletor de Rendas Federal, comerciante e Chefe Político em Mossoró, fundador do jornal “O Comércio de Mossoró, casado com dona Pautila Gurgel de Oliveira, neta do Barão do Açu.

Destes dois casamentos, nasceram 22 filhos, sendo 17 do primeiro e 5 do segundo. Cabe ressaltar que todos os filhos de Vicente destacaram-se na vida pública e privada, e assim como ele, foram merecedores da reverência de toda sociedade, pois honestidade, respeito e amizade foram os lemas seguidos por seus descendentes.

Foi no primeiro dia do mês de janeiro de 1882, no Sítio Cangaira, na mesma vila onde nasceu, com idade de 76 anos, 5 meses e 11 dias, que faleceu Vicente Praxedes, deixando para posteridade o seu nome e a sua marca registrados na pedra bruta. A morte do velho coronel teve grande repercussão na região oeste Potiguar, pois foi através dele que a mais de 200 anos, NASCEU A FAMÍLIA PRAXEDES e que se transformou em uma das
mais tradicionais do sertão norte-rio-grandense.
.
 *Gustavo de Castro Praxedes  é cientista social, historiador e genealogista
Natal-RN, 12 de junho de 2010.


Postado por Francisco Veríssimo - Blog Fatos de Caraúbas-Portal Fatos do RN

domingo, 13 de outubro de 2019

Proclamação da República em Caraúbas

                        

                          ATA DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA EM CARAÚBAS

   " -  Sessão extraordinária em 9 de dezembro de 1889, Presidência do Sr. Fernandes e Oliveira. 

         Às nove horas da manhã presentes os Srs. vereadores Fernandes e Oliveira, Pereira e Silva e Hipolito Carneiro, abriu o Sr. Presidente a sessão. Em seguida o Sr. Presidente espoz, que o objeto da presente sessão era declarar à Câmara oficialmente por si, e por todo o membro de quem ela é legítimo representante, sua adesão formal a República novamente proclamada no Rio de Janeiro em 15 e 16 de novembro findo, com deposição e extinção da atual dinastia Imperial, e do que chegando a esta Vila no dia 19 do mês findo a certeza pelas notícias telegráficas para aqui transmitidas, da proclamação da mencionada República, e Governo Nacional Provisório, se fizessem imediatamente significativas manifestações populares de regosijo e adesão plena a essa nova ordem de cousas: era todavia dever desta Corporação fazer sua manifestação oficial, como ora fazia-o
       Em seguida leu o Sr. Presidente da Câmara a Proclamação do Governo Provisório assinada pelo Sr. Marechal Deodoro da Fonseca e seu respectivo Ministério, lendo também o ofício do Dr. Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, Governador provisório deste Estado, que acompanhou o referido ofício. 
       Em seguida a isso proferiu o Sr. Presidente da Câmara um breve e expressivo discurso, manifestando seus sentimentos especiais de adesão, regosijo e ordem. E logo diversos cidadãos dos que assistiam a esta reunião, obtendo a palavra foram cada um por sua vez proferindo discursos analogos ao objeto da reunião, significando em termos expressivos e eloquentes suas adesões e regosijo, notando-se entre esses cidadãos que falaram os Srs. Dr. Felipe Nery de Brito Guerra, Domingos Ernesto de Brito Guerra, Atila Deudedit de Albuquerque, Manoel Praxedes Benevides Pimenta além de outros. 
         Findando tudo isso convidou o Sr. Presidente da Câmara a assinarem esta ata, os que o quizessem, não só os cidadãos como as senhoras que honraram o salão desta municipalidade e levantou competentes vivas a República Brasileira, a nova ordem de cousas, ao Governo Geral Provisório do Rio Grande do Norte, digo do Rio de Janeiro presidido pelo Sr. Marechal Deodoro, ao Chefe Executivo do Estado do Rio Grande do Norte, à Pátria livre, ao Município de Caraúbas e a Religião Católica Apostólica Romana nos quais vivas foi entusiasticamente correspondido por toda a reunião. E de tudo se lavrou a presente ata que vai assinada pela Câmara e pelos assistentes que o quizeram, mando extrair cópia autentica para ser enviada ao Governo Provisório do Estado, oficiando-lhe a Câmara. E eu, Domingos Ernesto de Brito Guerra, Secretário a fiz e subscrevi. 

                                  aa)  Fernandes Oliveia - Presidente 
                                         Fernandes Carneiro 
                                         Hipolito Carneiro 
                                         Lopes de Oliveira 
                                        Pereira e Silva

                         Silva Souto 
         Maria das Mercês Brito Guerra
         Conselheiro, Luiz Gonzaga de Brito Guerra
         Quitéria Ferreira de São Luiz
         Luiz Manoel Fernandes
         Joana Praxedes Fernandes
         Idalina Cândida de Oliveira
         Delfina Maria da Conceição
         Ana Rosa Emília
         Antonia Rufina de Oliveira
         Maria Amélia Gurgel
         Pautila Gurgel de Oliveira
         Martinha Gurgel de Oliveira
         Tecla Orestila Gurgel de Oliveira
         Sebastiana Celestina de Oliveira
         Maria Evangelina Praxedes de O.
         Joana Gonçalves Alencar
         Isabel Olímpia de Morais
         Antonia Hosana de Jesus
         Benvenuto Praxedes de Oliveira 
         Maria Odília de Oliveira
         Florência das Chagas Benevides
         Maria Aguida de Oliveira
         Maria América de Oliveira e Silva
         Quitéria Cândida Oliveira Fernandes 
         Josefina Gonzaga de São Luiz
         Maria Auta dos Anjos
         Lídia Carmosina de Oliveira
         Vicente Benevides de Oliveira
         Antonio Gurgel de Oliveira
         Mafalda Natalina Fernandes
         Vicência Fernandes de Oliveira
         Sebastiana Fernandes de Oliveira
         Maria Cândida da Conceição
         Cicero Carlos Pereira e Silva
         Francisco Fernandes Carneiro de Oliveira
         Telemaco Cícero Pereira e Silva
         Josefa Pereira 
         Fausto Anelio Fernandes Pimenta
         João de Góis Nogueira
         Felipe Nery de Brito Guerra
         Inácia Maria do Espírito Santo 
         Francisca Gerarda Henriques da Silva
         Aderaldo José de Moura
         Antonio Francisco Gurgel de Oliveira
         Cândido Gurgel do Amaral Filho
         Olinto Gurgel do Amaral
         José Francisco Câmara
         Antonio Verissimo de Souza
         Rozendo Fernandes de Oliveira
         Manoel Francisco da Silva Néo
         José Fernandes Pimenta
         Sebastião Benevides de Oliveira
         Antonio Bento Fernandes de Oliveira
         Zozimo Platão de Oliveira Fernandes
         Alexandre Magno de Oliveira Pinto
         Cesario Fernandes de Oliveira
         Francisco Sergio Fernandes
         Sebastião Francisco Câmara
         Atila Deusdedit Dantas de Albuquerque
         Luiz Antonio Fernandes Pimenta
         Frederico Augusto Pamplona 
         Antonio Simplicio Câmara
         Vito Pereira Tito Jácome
         Clementino Francisco Câmara
         Lino Constancio de Brito Guerra
         Abdias de Oliveira Fernandes
         Vicente Gurgel do Amaral e Oliveira
         Manoel Praxedes Benevides Pimenta
         Delfino Fernandes de Oliveira
         Teófilo Fernandes Pimenta
         Francisco Praxedes Fernandes Pimenta
         Leonel Fernandes Carneiro de Oliveira
         Manoel de Góis Nogueira
         Luiz Antonio Ferreira Souto 
         Honório Gentil da Silva Souto 
         Anizio Leobaldo da Costa
         Pedro Batista de Morais
         Sebastião Rosa
         Martiniano José Gomes
         Simão Rozendo de B. Guerra
         Francisco Gabriel Fernandes
         Satiro Sinesio Benevides 
         Saturiano de Oliveira Fernandes
         João Delfino Burity
         Cincinato Julio de Albuquerque Lima
         João Carlos Alencar
         Teofilo Olegario de Brito Guerra
         Luiz Carlos Fernandes Pimenta
         Maria Emilia de Oliveira Dores
         Petronila Mariana do Sacramento 
         Rafael Arcanjo de Brito Guerra
         Raimundo Gurgel de Oliveira 
        Tomaz Gomes de Oliveira
         Raimundo Benevides de Oliveira
         Zorobabel Nicostrato Agripino
         Bento Antonio de Oliveira
         José Augusto Ferreira
         Alexandre José Fernandes
         Bernardino Fernandes de Freitas
         Manoel Enéas de Freitas 
         Raimundo Fernandes Carneiro
         Joaquim Felicio de Moura
         Francisca Gomes da Silva
         Amâncio Carlos da Silva
        Amaro Maurino Peixoto Alencar
        
        Manoel Petronilo Fernandes Pimenta
        Genesio Ferreira da Silva Cumarú
        Tomaz Sinesio de Menezes
        Galdino Tomaz Arnau
        Maria Levinda Gurgel
        Helena Candida Gurgel
        Maria Joaquina de Menezes
        Joana Batista de Menezes
        Joaquina Olimpia da Conceição
        Francisca Matildes de Oliveira
        João Praxedes Benevides Pimenta
        Manoel da Rocha Barros
        Isabel Gurgel de Oliveira"

(Do 3º  Livro de Atas da Câmara, ps. 17v a 20v). 


FONTE: *Extraído do livro "Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra - O Memorialista Esquecido", de Raimundo Soares de Brito. Coleção Mossoroense. Volume CXXXII. 1980. 


*Francisco Veríssimo - Blog Fatos de Caraúbas-Portal Fatos do RN

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Um caraubense na Guerra de Canudos

Ao entardecer do dia 05 de outubro de 1897 ocorria o desfecho da famosa Guerra de Canudos. Cem anos da inglória luta, em que verdadeiros atos de barbárie foram praticados sob os auspícios da impunidade. O tempo sobre as cinzas, as cinzas sobre o tempo, demarcando a existência de cem anos de solidão. 

É indiscutível poder afirmar que foi a maior guerra em solo brasileiro, sobre o qual brasileiros matam brasileiros, em exacerbada insânia do patriotismo. Analisando-se minuciosamente todos os atos que fizeram história, verifica-se que os seus principais protagonistas eram pessoas dotadas de invulgar carisma. 

Num sertão desassistido pelo governo, entregue à própria sorte, só restava aos seus esquálidos e famintos habitantes o apego aos mistérios da fé. Eis que surgiu o carismático Antônio Conselheiro, trajando inconfundível vestimenta, representada por um camisolão azul, sem presilha na cintura. nas mãos levava um cajado, como os profetas, os santos, os guiadores de gente, os escolhidos, os que sabem o caminho do céu. 

Dentre as 15.000 pessoas que morreram em combate, destaca-se um caraubense, de tradicional linhagem, o alferes João Mafaldo de Oliveira Praxedes. Terceiro filho do segundo consórcio do Cel. Vicente Praxedes Benevides Pimenta, nasceu em 26.01.1864, na residência de seus pais, em Martins –RN. 

Verificou praça em Natal, no 34º Batalhão de Infantaria, no posto de Cadete, em virtude da alta patente que seu pai exercia na Guarda Nacional durante o regime monárquico, onde serviu durante anos em completa paz naquela guarnição, sendo estimado por seus superiores e admirado por seus subalternos, dada sua correção, nobreza, sinceridade de caráter e bondade de coração. 

Eclodindo a revolução no Rio Grande do Sul, foi transferido para o 27º Batalhão de Infantaria, que servia naquele Estado, e, como tal, teve de seguir para incorporar-se às forças que ali se achavam em operações de guerra. Pela performance com que se conduziu nessa campanha, e pela honradez com que se portou no ofício de militar, foi elevado por atos de bravura para o posto de Alferes, tendo por tal forma captado a confiança e a estima dos seus superiores hierárquicos. 

Por tais atributos, mesmo depois da pacificação, continuou naquela guarnição, não tendo que voltar a incorporar-se ao seu batalhão – o 3º de Infantaria em Natal. 

Quando, mais tarde, rebentou a Guerra de Canudos, João Mafaldo já pertencia à guarnição do 30º Batalhão de Infantaria, o que o fez bater-se, mais uma vez, pela pátria e pela República, em defesa dos quais faleceu no memorável  combate do dia 18 de julho de 1897. Fazia parte da quarta e última expedição ao arraial de Canudos, comandada pelo general Artur Oscar de Andrade Guimarães. 

No dia em que morreu João Mafaldo, o jornal “O País”, do Rio de Janeiro – um dos principais da então capital federal –, publicou, numa referência a Antônio Conselheiro, em que se lia: 
“O Monstro, ao longe, nas profundezas do sertão misterioso, escancara as guelras, insaciáveis, pedindo mais gente, mais pasto de corações republicanos, um farnel mais opulento de heróis...”

João Mafaldo compunha a força avassaladora de 5.000 homens, reunidos para vencer os sertanejos de Canudos. Depois de um mês de combate, dos 5.000 soldados, 900 estavam fora da luta, mortos ou feridos. Por conta própria, e ao risco de cair nas numerosas armadilhas dos sertanejos – como de fato muitos caíram, os soldados organizavam grupos para caçar bodes ou o que houvesse para comer. 

Há duas faces da história de Canudos: de um lado a paixão patriótica dominada pela insânia, em que soldados praticavam a degola, levando homens de braços atados para trás, como criminosos..., indefesos, para a seguir levantar-lhes pelo nariz a cabeça, como se fora a de uma ave, e cortar-lhes o pescoço, deixando cair a cabeça sobre o solo, como se fora um ato nobilitante. Por outro lado, o irredentismo dos “fanáticos” sertanejos, beatos feito jagunços, travados na defesa do quase indevassável reduto da fé, amalgada pelo perturbador da história do Brasil. 

Diante da realidade do Brasil – de Canudos, de cem anos atrás e do Brasil de hoje, resta-nos uma certeza: a de que continua a existir dois Brasis – o dos pobres(nordeste brasileiro) e o dos ricos (estados do norte e sul) pelo menos até provar o contrário. 

Por Marcos Pinto – historiador e advogado

domingo, 21 de outubro de 2018

A origem do Sítio Sabe-Muito

*Por Geraldo Fernandes - Historiador/Pesquisador 


Diz os pesquisadores, que Caraúbas ainda não existia, mais a fazenda sabe - muito já se encontrava em franca prosperidade. As suas origens datam dos fins do século XVII, quando vieram para o Brasil, os três portugueses, Fernandes Pimenta - Oriundos da vila de Faral, província do douro. E que foram a nascente da grande família e com este sobre nome se espalha pelo nordeste.

O MOTIVO DO NOME SABE-MUITO

Refere-se as narrativas dos antigos moradores da região, que Antonio Pinto Coutinho, comissionario Português, residente em Pernambuco, foi o concessionário da data de terra ‘’ Olho d’Água do milho”, onde fica encravado a fazenda Sabe - Muito. Coutinho tinha em sua fazenda um agregado , que os pesquisadores,acham ser um índio domesticado da tribo dos ‘’Payacus’’, residente nas imediações, com a sua taba, no lugar apanha-peixe, à seis quilômetros de distancia de sua fazenda, em visitas ás suas terras, Coutinho chegou ao ‘’ Olho d’Água do milho”, onde descansava, de onde dista uns cinco quilômetros para o Sabe - Muito, que até então despovoado e não tinha nome, de repente chega um caboclo a procura de seu patrão para contar as novidades, que tinha descoberto um ‘’ Olho d’Água” ao pé de um serrote no meio daquela mata virgem, Coutinho já dono do ‘’ Olho d’Água do milho” achou a noticia muito boa mais não quis da crédito a informação de seu criado, daí o seu criado convidou Coutinho para ir em sua companhia e ver a fonte ¬– convite aceito por Coutinho, depois de andar muito tempo dentro do matagal, Coutinho meio desconfiado perguntou “ você sabe mesmo onde fica esse Olho d’Água?’’. O caboclo olhou para o seu patrão e respondeu eu sabe - muito. Coutinho como português conhecia um pouco da sua linguagem e achou graça daquela frase e daquele dia em diante deu ao lugar o nome sabe - muito.

OS PRIMEIROS POVOADORES

A revista do instituto histórico e geográfico do Rio Grande do norte, correspondente dos anos de 1930-1931 nas paginas 115-116, conta que três portugueses imigraram de Faral, um deles era Antonio Fernandes Pimenta que se situou no lugar ‘’Riacho do pimenta’’ em homenagem ao seu nome, em território do atual município de Campo Grande, um dos filho de Antonio era José Fernandes pimenta. Antonio Pinto faleceu e sua filha Maria de Souza Coutinho herdou as ditas terras que compreendia o sitio sabe - muito no ano de 1775. José Fernandes pimenta comprou essas terras e nelas se fixou com a sua família, José era casado com Josefa Maria da Conceição, teve 14 filhos e daí partiram o povoamento da região de sabe - muito. Em virtude da tremenda seca de 1791 á 1793, José Fernandes Pimenta retirou-se com a sua esposa para o município de Ares na Paraíba, e lá ambos faleceram, com a morte de José ficou no sabe - muito o seu filho capitão Antonio Fernandes pimenta, este casou-se com Francisca romana do sacramento, filha do velho patriarca Manoel Carneiro de Freitas.

A ESCRAVATURA NO SABE-MUITO

Antes da lei áurea de 13 de maio de 1888 que extinguiu a escravidão no Brasil, Caraúbas já havia concedido a libertação de seus elementos servil no dia 30 de março de 1887, sendo o 3 município do estado que deu esta prova de humanidade e civilização. Mais antes de Caraúbas aboli a escravidão em seu território, na fazenda sabe - muito os negros já gozava de liberdade que não precisou ser alterada pela nova ordem do poder publico.

Fontes pesquisadas: Caraúbas Centenaria e Instituto Geográfico do Rio Grande do Norte.
Matéria publicada no Blog Rede News 360


Francisco Veríssimo - Blog Fatos de Caraúbas - Portal Fatos do RN

domingo, 30 de abril de 2017

Subsídio histórico sobre o Apanha Peixe

POR GERALDO FERNANDES

Lagoa do Apanha-Peixe, município de Caraúbas/RN. Foto: Edivaldo Barbosa

Na lagoa do Apanha-Peixe, no inicio do século 18, residia Manoel Nogueira, ele era um rico fazendeiro, que tinha obtido junto com seus familiares sete datas de terra, tendo cada uma delas, três léguas de cumprido por uma de largura, isto na Ribeira do Apodi. 

Manoel Nogueira foi o primeiro povoador do Apanha Peixe, pois lá mesmo ele fundou uma grande fazenda de gado como também de escravos, levantou ao leste da lagoa um forte para defender-se dos sucessivos ataques dos índios, este forte passou a ter o nome de "Tapera Velha". 

O maior conflito entre os Nogueiras e os índios no Apanha Peixe, foi logo após a colonização do Apodi, datada de 9 de agosto de 1688, foi nesse dia que Matias Nogueira, João Nogueira e Baltazar Nogueira, fundadores do Apodi, juntamente com seus escravos travaram uma luta contra os Índios Tapuias Paiacus.  Nessa luta os índios deixaram morto no campo de batalha, às margens da lLgoa do Apanha-Peixe, Baltazar Nogueira. 

Fonte: Nota sobre a Ribeira do Apodi, de Nonato Mota. 

A DIVISÃO DO APANHA PEIXE

Acontece que a 9 de maio de 1740 começa a demarcação da data de Sesmaria do Apanha -Peixe, tal data foi requerida por Margarita de Freitas e Antônia de Freitas, no lugar denominado de "Tapera Velha" ao leste da Lagoa Apanha-Peixe para o lado do Pacó. Em 29 de julho de 1751, o Apanha-Peixe foi dividido em duas partes, pois o capitão Manoel Carvalho de Azevedo comprou estas ditas terras que passou se chamar  de "Apanha Peixe de Fora", ou seja, o Apanha Peixe de fora, é hoje o atual "Apanha Peixe dos Crentes", já o antigo Apanha Peixe continuou nos domínio dos Nogueiras. 

Fonte: Livro Termo Mineral - Olho D'água do Milho de Cristiano Gurgel pg. 43.

O AÇUDE DO APANHA PEIXE

O açude do Apanha-Peixe fica encravado no Sítio de mesmo nome, o açude teve sua primeira parede iniciada pelo governo imperial no ano de 1889, com os recursos enviados para os flagelados da seca, depois foi ampliado com auxílio do Governo do Estado, e quase construído no ano de 1941, neste mesmo ano o açude tinha uma capacidade de 10 milhões de metro cubicos. 

Fonte: Caraúbas Centenária. 

ORIGEM DO NOME

O nome de Apanha-Peixe, segundo a tradição oral, vem do fato que quando o vento soprava fazia ondas nas águas, e jogava os peixes fora, naquela época não existiam redes para pegar os peixes, e quando eles ficavam fora da água o povo gritava "Apanha-Peixe!", e tão grande era a pescaria que se realizavam a mão sem auxílio de qualquer outra armadilha, que veio para a lagoa, o sugestivo nome de "Apanha-Peixe".

Outro fato que marcou a comunidade foi no dia 12 de junho de 1927, foi nesta data que o temido Lampião e seu bando de passagem para Mossoró, fizeram rápida parada naquela lagoa aonde banharam os seus animais, encheram suas moringas d’águas e em seguida fizeram José Paulino Bezerra, mais conhecido como "O Velho Pequeno" como refém. Segundo os mais velhos, apesar da pisa que "Pequeno" sofreu, ele não entregou nenhum vintém de suas economias aos bandidos. 

Fonte:  Na Trilha do Passado de Sergio Augusto de Sousa

*Geraldo Fernandes é escritor e membro da Academia Apodiense de Letras(AAPOL). 

domingo, 9 de abril de 2017

Igreja Matriz de São Sebastião

Igreja Matriz de São Sebastião, em Caraúbas/RN. 

Em 1791, uma grande seca assolou o sertão ameaçando exterminar o gado da região. Leandro da Cunha, devoto de São Sebastião, prometeu construir uma capela para o santo se surgisse água franca para a manutenção de sua fazenda. Cavando então um poço perto do riacho a água jorrou em abundância e nunca mais secou.

A partir desse momento, o poço passou a ser chamado de Poço de São Sebastião, que existe até hoje em frente à matriz da cidade. Construída a capela, as romarias e as festas religiosas realizadas atraíam para o local grande número de fiéis, que vinham até mesmo dos mais distantes sertões.

A devoção por São Sebastião continua até hoje, quando os caraubenses comemoram os 150 anos de evangelização em louvor ao santo padroeiro. De 10 a 20 de janeiro, Caraúbas vive seu momento maior de fé e tradição de um dos maiores eventos sócio-religioso do interior do Estado do Rio Grande do Norte. No último dia dos festejos, uma grande procissão segue o andor com o santo percorrendo as principais ruas da cidade e encerrando na Igreja Matriz. Antes da criação da Freguesia Eclesiástica de Caraúbas, esta pertencia à Freguesia (Paróquia) de Apodi.

sábado, 1 de abril de 2017

Casa Grande da "Fazenda Sabe Muito"

Casarão senhorial construído com recursos próprios do Sr. Capitão ALEXANDRE MAGNO DE OLIVEIRA PINTO, natural de Apodi (sítio Ponta),bisavô do ex-governador Monsenhor Walfredo Gurgel e de Eudóxio Magno de Oliveira Pinto (Pai das Professoras Coeli Magno e Socorro Magno, casada com o Sr. Zé Bolacha (José Ferreira da Costa).

A enorme casa, vista da beira da estrada entre os municípios de Apodi e Caraúbas, sobressai em meio à paisagem seca da caatinga no Médio Oeste. A casa grande da propriedade, encravada em um outeiro, foi construída em 1868. Até hoje, não se tem notícias sobre o reconhecimento histórico-arquitetônico, através de processo de tombamento em nível estadual, para averiguar a importância da construção.

A fazenda “Sabe Muito” é o coração da cidade de Caraúbas, a qual foi erguida no final do século XVII, quando vieram para o Brasil alguns portugueses, oriundos da Vila de Faral, província do Douro. Segundo Epitácio Fernandes Pimenta, um índio Payacu, amigo do português Antônio Coutinho, havia encontrado um olho d’água nas imediações da fazenda.
“Antônio Coutinho perguntou se o índio sabia mesmo onde se achava água, o mesmo respondeu: ‘Eu sabe muito’. Coutinho, como todo bom português, conhecia um pouco de sua língua, achou interessante a maneira do Paiacu falar e daquele dia em diante deu o nome dessas terras de Fazenda Sabe Muito”, escreveu Epitácio Pimenta no livro Caraúbas Centenária,

A casa é rústica, mas impressiona pela grandeza que foi construída. É a maior casa do município e parece uma fortaleza, com suas possantes paredes de quatro enormes tijolos que sustentam uma cumeeira com altura de 50 palmos de altura, além de 27 portas e 41 janelas abrigando 20 cômodos. Atualmente, a casa grande da Fazenda Sabe Muito está abandonada, servindo de refúgio para morcegos, ratos e outros animais silvestres.
Atualmente, o Sabe Muito pertence a Jonas Armagílio de Oliveira e Joana Eulália de Oliveira que comprou a propriedade e se estabeleceram na região no ano da graça de 1960. Muito cortês, os descendentes moram ao lado e podem mostrar a casa para o visitante. Nos fundos da casa grande, há uma casa de farinha com os equipamentos velhos e sem uso, mas ainda existe a prensa, o forno e uma grande moenda.

No ermo dos alpendres solitários da fazenda, uma lenda se espalha feito vento ligeiro, contando que existe uma botija de ouro sob os tijolos da imensa sala da casa. A moradora Edileuza de Oliveira Silva afirmou ter escutado a história de um antigo morador da região, mas nunca se interessou em escavar a área.
Edileuza confirma que vem gente "de todo canto" para visitar a casa. Os nomes de inúmeros visitantes incultos estão inscritos com giz nas paredes dos cômodos da fazenda, demonstrando pouca importância pela preservação do lugar.
Casa de Farinha

Casa de Farinha secular, num dos cômodos do Sabe Muito.

A casa de farinha guarda traços dos hábitos dos antigos coronéis sertanejos quando castigava escravos preguiçosos. Grandes armadores, colocados no alto das paredes, são sinais de que o lugar teria sido cenário de torturas físicas, quando as escravas eram colocadas de cabeça para baixo para receber chicotadas. “Elas deveriam ficar nuas para ter o castigo”, ressaltou Edileuza.

Longe das lendas e com toda sua história impregnada nas suas grossas paredes, a Fazenda Sabe Muito permanece relegada ao abandono, disposta a ação dos vândalos e do tempo. A solução é esperar que o órgão responsável pelo patrimônio histórico e arquitetônico do Rio Grande do Norte, a Fundação José Augusto, faça um levantamento para o processo de tombamento do Sabe Muito.

Fontes: Marcos Pinto, historiador e advogado apodiense. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Origem do Olho'água do Milho


O coronel Antonio da Rocha Pita, no período compreendido entre 1717 e 1722, aproveitando a decadência dos Nogueiras, ocasionada pela seca de 1717 requereu e obteve a data Olho D’água do Milho, o coronel Pita residia na Bahia era rico, e não gostava de Manoel Nogueira, o Fundador de Apodi.

Em antigos documentos, encontramos três supostos donos do Olho D’água do Milho, o Comissionário Antonio Pinto, Manoel Nogueira e Antonio Pita, capitalista e fazendeiro. Dos três apenas residia nessa capitania Manoel Nogueira.

Antonio Pinto era dos três o mais fraco, em conseqüência também de ser o mais pobre, por isso não hesitou em se dirigir ao Coronel Pita, e simulou um arrendamento do Olho D’água do Milho.

O arrendamento foi feito pelo Coronel pita, a Antonio Pinto durante nove anos, num preço de 10 mil contos de rés anuais sujeito a despesas. A fraqueza e falta de recursos para questionar o regularizar a concessão de sua data, o que não resta duvidas é que Antonio Pinto alienou o seu direito, o arrendamento do Olho D’água do Milho foi feito no dia 22 de novembro de 1722, e o Olho D’água do Milho conservou-se calmo até o ano de 1734, o procurador do Coronel Antonio da Rocha Pita nesta operação foi Francisco Soares de Andrade. No ano de 1734 uma nova concessão do Olho D’água do Milho aparece, com a data de 12 de Janeiro, desta vez era o Governador Capitão Mor João de Barros Braga, a quem era concedida a data de Olho D’água do Milho, ao seu Secretario Sargento Mor Dionísio Da Costa Soares, em virtude dessa concessão Antonio Pinto requereu e obteve posse Judiciária, que lhe foi dada pelo Coronel Teodósio Freire Amorim Juiz Ordinário e o escrivão Roberto de Sá Pereira isso em 12 de agosto de 1734.

Eis o Despacho

O escrivão da Fazenda Real, Bento Ferreira Mousinho, na petição do Sargento-Mór Dionísio Costa: ‘’Os sítios ‘’Apanha-Peixe e ‘’ Olho D’água do Milho’’ foram pedidos pelos herdeiros de Antonio da Rocha Pita, e outros muitos, em uma só data ao Sr. Conde Vice-Rei, deste Estado, e dando-se conta a sua Majestade da impropriedade desta graça, por ser concedida por governo incompetente, com excessiva taxa determinada, mandou o dito Sr. A V mcê, o observasse neste particular o disposto nas reais ordens, por cujo motivo pouca ficou dita a data de nenhum vigor, e este sitio Olho D’água se havia já muito anteriormente pedido por Antonio Pinto de Araujo em 5 de abril de 1717 e como não consta que este senhor o povoasse nem se apossasse está prescrita, por exceder muito ao qüinqüênio da lei. Vossa mercê mandará o que foi servido. Cidade, 12 de Janeiro de 1743’’.

O Conflito

‘’ Contra essa matilha de aventureiros, que continuamente investiam sobre a propriedade ‘’ Olho D’água do Milho’’, Antonio Pinto apôs a mais tenaz resistência.

Em 1734, já falecido o Cel. Antonio da Rocha Pita, os seus herdeiros intentaram ação judiciária contra Manoel Nogueira e seus irmãos e sócios João Nogueira e José Nogueira, para provarem o seu direito sobre as setes datas dos Nogueiras. Essa questão foi decidida em favor do Nogueiras contra a sentença do Juiz dos Feitos da Coroa e Casa da Suplicação em favor dos Pitas.

Os herdeiros de Antonio Pita, tento em consideração a prescrição da concessão que tinha sido feita ao seu pai e sogro da data ‘’ Olho D’água do Milho’’, requereram a mesma data que por sua vez também ficou também ficou prescrita conforme informação do escrivão Bento Ferreira Mousinho, visto não terem demarcado dentro do qüinqüênio da lei. Cinco já são os pretendentes a possuir o ‘’ Olho D’água do Milho’’. Temos de apoiar o desfecho deste embrulho. Aliás, complicadíssimo.

Antonio Pinto, descobridor e povoador; Manoel Nogueira, que julgava excluir o "Olho D’água do Milho" nas setes datas que lhe foram concedidas; Cel. Pita,que, além de se considerar possuidor de quase todas as terras dessa capitania, tinha obtido também o concessão do "Olho D’água’", os herdeiros de Antonio Pita e Sargento-mór Dionísio da Costa Soares. Antes de Antonio Pinto entrar no livre gozo de sua de sua propriedade, um outro perturbador aparece. Era o Padre Francisco Barbosa Tinoco.

A concessão do Cel. Pita caiu em comissão (sic); a de seus herdeiros também; a do Sargento-mór Dionísio Costa foi logo por ele abandonada, a de Antonio Pinto, se bem que tivesse caído em comisso, todavia ele continuava na posse das terras. Os herdeiros de Antonio Pita, depois que perderam a questão que tiveram com Manoel Nogueira e aproveitando da morte deste, intentaram ação criminal contra seus irmãos e sócios João Nogueira, José Nogueira e Gaspar de Araujo pela morte que eles praticaram. Todos três foram condenados a morte, sendo seus bens inclusive vários Sitios na Ribeira do Apodi, penhorados para pagamentos de custas, a condenação e penhoras foram em 1740.

O "Olho D’água do Milho" foi também penhorado em 21 de Fevereiro de 1741 e, ao ser posto em praça, foram arrematados por Simão da Fonseca Pinto. Em 1740. Margarida de Freitas, herdeira de Manoel Nogueira mandou tombar suas terras e nessas incluiu o "Apanha –Peixe’". A demarcação desta data partiu da casa forte, ou de Tapéra, e seguiu légua em um rumo e meia légua em outro muito diferente.

Margarida de Freitas, assim procedendo, visava cair dentro das datas terras de ‘’ Sabe-Muito’’ e ‘’ Olho D’água do Milho’’ que ainda não estavam tombadas. Efetivamente assim sucederia se Antonio Pinto não protestasse o que fez com que o piloto recuasse e se inteirasse com terras adiantes.

O juiz que presidia a demarcação era Dr. Teotônio Fernandes e o escrivão que serviu foi Bento Fernandes Mousinho. Diz Antonio Carlos que esta demarcação, bem como todas as demais a que procedeu.

Caso ele tivesse sido nula, o processo estaria no arquivo do Tribunal que anulou com respectivo acordão.

Fonte:
Cristiano Gurgel

sábado, 3 de outubro de 2015

Um caraubense no comando do Governo do Estado


FRANCISCO GURGEL DE OLIVEIRA, também conhecido como "Coronel Gurgel", nasceu em Caraúbas no dia 07 de setembro de 1848, era filho do Tenente-Coronel da Guarda Nacional, Antônio Francisco de Oliveira, e de Quitéria Ferreira de São Luís. Gurgel Foi Presidente da Intendência Municipal de Mossoró(atual cargo de Prefeito Municipal) no quatriênio 1877-1880. Foi  Deputado Federal pelo RN,  representando  a cidade de Caraúbas e seu Estado, na Câmara dos Deputados Federais no Brasil, no ano de 1894, e reeleito para o período de 1897-1899. 

Foi também  Comandante da Guarda Nacional da cidade de Mossoró, por ato de nomeação do Imperador, Esse ilustre caraubense foi também por um curto espaço de tempo, Governador do Estado do Rio Grande do Norte no período de 06 de agosto de 1891 a 09 de setembro de 1891. Portanto o município de Caraúbas também teve um "filho da terra" no comando do Executivo Estadual do RN.
Francisco Gurgel, faleceu em Mossoró, a 07 de janeiro de 1910. 

Fonte de consulta: Vide in live Legislativo e Executivo de Mossoró - Uma viagem mais que centenária - Raimundo Soares de Brito. Coleção Mossoroense, Vol. CCLXXXVII, 1985.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Criação da Freguesia Eclesiástica de Caraúbas

01 de setembro de 1858

Através da Lei Provincial nº 408 é criada a Freguesia eclesiástica de Caraúbas, desmembrando da de Apody e determinando os seus respectivos limites. 
Somente seis meses depois, a 6 de março de 1859, foi a paróquia solenemente instalada, sendo o seu primeiro vigário o Pe. Florêncio Gomes de Oliveira, que regeu os destinos da paróquia até 1861. 

Fonte: Dantas e Notas para a História de Apody - Marcos Pinto 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Valdetário Carneiro - A essência da bala

Dos Jornalistas Rafael Barbosa e Paulo Nascimento, da cidade de Natal RN. "Valdetário, a essência da bala", é um livro que prende a atenção. das primeiras palavras até o ponto final. Trata da vida de um dos mais temidos assaltantes que já irromperam no Rio Grande do Norte. Valdetário tornou-se uma lenda, tal a ousadia de suas ações. Ser implacável era o seu método, agir sem temor sua grife."


Nesta pagina fazendo um resumo da História do caraubense Valdetário, que chegou a ser comparado no programa linha direta da Rede Globo ao Lampião da era moderna. Despertar a curiosidade de quem não conhece sua trajetória igual a de alguns brasileiros revoltado com as injustiças e teve a coragem de desafiar esta estrutura corrupta e como acontece com todos é rotulado de Bandido e depois executado pelo Estado num pais que se vangloria de não ter pena de morte.


Será uma longa história em que alguns episodio de um Tio de Valdetário conhecido pelo nome de Antonino Carneiro, eu conheci assim como lembro do menino mais novo do que eu 5 anos o Valdetário que gostava de interpretar nos desfile de 7 de setembro O Tiradentes. São personagem e cenário da vida real.


A cena não é diferente no Oeste Potiguar do que se vê em grande parte de resto do interior nordestino. O sol castiga o sertão como em tantos dias do ano. E quando se aproxima o meio dia o calor é evidente. A senhora sai de sua casa, na beira do asfalto e começa a caminhar em direção a Caraúbas. No mesmo sentido vem vindo o homem em sua camionete que freia e pergunta, tá indo pra onde minha Tia? Respondeu a senhora, Caraúbas. A mulher agradece a gentiliza e comenta, morro de medo de andar por aqui, por conta do tal Valdetário. Tenho muito medo dele - relata. Qual a razão disso? - ele questionou, intrigado. Na visão da mulher ele era um bandido perigoso que trucidava quem encontrasse pela frente. A viagem acaba já dentro da cidade e ele pega do bolso da camisa um maço de dinheiro e sem contar dar para a senhora e diz. Não tenha medo de Valdetário, não. Que esse homem sou eu e não foço nada do que já contaram para a senhora.


 
Caraúbas no Oeste do Rio Grande do Norte. Foto: Assis Oliveira

"Seu método, agir sem temor sua grife."

 
Natal capital do Estado do Rio Grande do Norte.

Jornalistas: Rafael Barbosa e Paulo Nascimento, residem na capital do Estado.







 
É nesta terra castigada pela seca no oeste do Rio Grande do Norte, Caraúbas a cidade de homens mais destemidos.

 
Essa história, como tantas outras que têm este homem como protagonista, é conhecida por muita gente da região Oeste. Pode ate ser mentira, que é debitada na conta da lenda de Valdetário.

No dia 7 de março de 1959 nasce um menino, que é batizado José Valdetário Benevides. Val, como passaria a ser tratado pelos amigos mais próximos e também pela família.

 

A Saga da família Carneiro começa com Antonino Carneiro, um cidadão de bem e muito respeitado devido o seu destemor de não deixar nada para depois. Tem muitas historia dele contada pelo povo, em que diziam que ainda não tinha nascido um Policial que tivesse a petulância de desarmá-lo, em termos é verdade. E talvez tenha tudo começado dai, pois Caraúbas era famosa em colocar Sargentos da PM para correr de lá. Eu afirmo isto porque na época eu era criança e ouvia muito estas estorias de homens poderosos a policia não desarmava, só os pobres dos Zé Maner, e quando algum Sargento desavisado tentava ou corria ou morria. Pela falta de extrutura do Estado e devido ao seu respeito e temor que todos tinha dele ele se tornou uma especia de Juiz seria o caso, pois dizem que ele resolvia as questões entra as pessoas, principalmente rapazes que na nossa linguagem ofendia a moça e não queria casar, ele conversava com o sujeito e convencia a ele reparar o que fez se casando.

 
Este é o senário da tragedia anunciada, que poderia ter sido evitada, mais não foi e tudo se consumou no pior. É o que se pode dizer um dia de cão, um dos piores dias para quem residia em Caraúbas. Eu vivi este momento e confesso não foi nada agradável a cidade mergulhou num clima de tenção nunca visto.
 

Sargento Aderson, campeão de tiro da Policia Militar do Rio Grande do Norte e pelo que eu escutava foi enviado para Caraúbas com um proposito. Desmoralizar o homem mais temido da cidade, Antinino Carneiro. Tio de Valdetário Carneiro, Antonino foi um desses homens com valores que o tempo faz desaparecer. Apesar de ser apenas comerciante, sem muitas posses, chegou a ser vereador de Caraúbas duas vezes, entre 1958 e l966 - o prédio onde está a sede da Câmara Municipal foi dado o seu nome em sua homenagem. Era ele que resolvia os problemas de todos que o procurava na cidade. E resolvia do seu jeito. Forte, alto, teimoso e cheio de coragem, conseguia impor respeito. Em 1958, ano de uma das secas da história do Nordeste brasileiro. Eu nos meus 4 anos de vida residindo na Fazenda Independência lembro do meu pai trazendo macambira para a comida dele e minha mãe, quem me safava era o leita das cabras. Com os três açudes; São Vicente, Saboia e o Grande seco, o único local para os moradores de Caraúbas era o Olho D'áqua do Milho para pegar água. O dono do local terminou fechando a entrada da fonte. A população resolveu pedir socorro a Antonino. Ele foi ao local, arrancou a porteira e a levou no seu caminhão. As ações lhe renderam prestígio e amigos. O ex-Governador Aluízio Alves tinha a casa de Antonino como porto seguro em Caraúbas, sempre o visitava. Um outro amigo de peso foi o Coronel Bento Manoel de Medeiros, o ex-Deputado Estadual Vingt Rosado, da clã politica da cidade de Mossoró. Mais ao mesmo tempo se multiplicava os inimigos. Um pistoleiro chegou a pegar carona com ele e desistiu de mata-lo ao ver o arsenal com o seu ajudante. Infelizmente a maior desgraça humana são as intrigas e os Lideres não escapam desta armadilha, a história começou em 1966. 

Chega em Caraúbas, designado como o novo delegado da cidade, o sargento Aderson Adriano Pires, da Policia Militar. A principio os dois tinham um bom relacionamento, ate que um dia como diz a insustentável leveza do ser, por uma bobagem, orgulho besta que todos temos veio a tona com toda sua força. Os dois se tornaram inimigos mortais, e alimentado pelas fofocas é um estopim para a desgraça. Valendo-se da condição politica de seu parentesco com o Governador Monsenhor Walfredo Gurgel, seu aliado a primo em primeiro grau de sua mulher. Solicitou a transferência do Sargento Aderson. Pedido negado, coisas da política, se a missão do Sargento era esta, ele previu o fim da história: 

-- Um dos dois vai morrer, Monsenhor. (Antonino Carneiro)



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